Se, há um mim, um profundo interesse em não comentar o presente, porque gostaria que as palavras que aqui coloco não fossem sobre o dia a dia, mas sim, marcos de um futuro que pretendo construir, não posso, ignorar o que se passa e assim fundamentar o quão grave é o que se está a passar.
- Incêndios – Essa palavra que cada vez mais as pessoas se esqueçam, e que a maioria da população vê mas não sente na pele o que se passa, não vive no interior, nunca passou lá os seus dias de férias, não imagina o que de bom é viver junto da natureza, mas quais são as reais dificuldades que essa população enfrenta todos os dias. A desertificação do interior é patológica, crónica e imutável (para mal dos nossos pecados).
- Proteção Civil e Doutores de Gabinete – Meus amigos… Cada vez mais temos responsáveis que não sabem o que é o terreno, o que é trabalhar no terreno, saídos das faculdades, sem a mínima noção da realidade. Pessoas que pedem relatórios e números para aplicar nas folhas de Excel , criadas um dia, por professores que nasciam nessas mesmas terras e tentavam discernir o que podiam fazer de teórico que os ajudasse em campo a ter melhores decisões. Se calhar, já falecidos, e com o mundo a mudar muita coisa muda. A desertificação é real, a proliferação das invasoras é cada vez maior, e a população está envelhecida, sem vida ainda para dar a sua terra.
- Defesa – Portugal e demais países da Europa, se esquecem que mais que andar a plantar parques eólicos, solares, destruindo por vezes paisagens, que a floresta cria várias coisas boas, paisagem, ar limpo, e músculo. Sou daqueles que não percebe o porque, não se aumenta o número de efetivos do exército, e que parte desse mesmo trabalho passe pela floresta. Daqueles que não percebe, que a força aérea não veja para o combate aos incêndios, numa forma de dar condições difíceis e horas de voo aos seus pilotos, é que um cenário de incêndio florestal é o se calhar o mais aproximado a cenário de guerra, para treino em tempos de paz. Não é ao calhas (expressão madeirense) que se chamam aos bombeiros soldados da paz.
- Os políticos… Bom, os responsáveis políticos e a nova forma de fazer política, são no fundo empresários, alguns de boa índole a tentar aplicar os seus conhecimentos na boa gestão pública, mas a esmagadora maioria a tratar da sua vidinha, do seu percurso profissional e de vida, muitos mascarados de influencer numa altura que criam vídeos parvos, com a justificação que têm de ser próximos da população e que são iguais a eles. Se são iguais a população, ganham votos, mas é isso que é mesmo necessário? A visão que ter uns likes e ganhar dinheirito com isso, esta a degradar uma premissa fundamental, olhar para os problemas de forma a resolver não só o hoje, ou alguém incomodado, mas o problema acautelando um futuro em que mais ninguém olhe essa mesma questão como problema. Soma-se a isso, Almirantes sem capacidade real de liderança, em que não se vai contra a hierarquia para proteger os seus, em fragatas podres e seu recursos para a sua correta manutenção, quando se tem de gastar dinheiro, até as orientação de patrocinar mais algumas empresas para a inovação na defesa, drones e umas tantas outras alternativas inovadoras, que no fundo recolhem dados mas o trabalho sujo ninguém o quer fazer? E, porquê?
- Não é a toa que, ninguém gosta de fazer o trabalho sujo, não é a toa que ninguém gosta do trabalho mais físico, custa bastante e é pouco recompensado. Vejamos os imigrantes, podem trabalhar uma temporada na agricultura e se não lhes tiverem restringido a liberdade, escravizados por máfias com a conivência patronal, na temporada seguinte muitos se voltam para TVDE’s, restauração, supermercados e logística, sabem que ganham pouco mas que não se sujam. E esse pouco, pode ser muito lá na terra deles.
- Está o país tudo a viver do turismo, acredito que seja o sector económico com mais crescimento desde a última crise, neste caso a pandémica, onde muitos conseguiram criar fundo de maneio e a necessidade de viver a vida tornou-se mais premente, o pessoal gosta de não ter chatices, viver experiências e fugir do dia a dia, mas deus queira que o dia a dia não se torne madrasto, e lembre que fugir as dificuldades da vida tem de ser em conta e medida. Se um dia, a alternativa passar entre pagar a casa, a comida e a educação dos filhos, as férias são a primeira despesa a cair do orçamento familiar, e aí o turismo que hoje se vive, desaparece e ficamos com uma estrutura sobre dimensionada, deficitária e a caminho da falência. Se, ou melhor dizendo, quando isto acontecer, poucos serão os que irão estar preparados, e a economia por um tudo, e por estar tão interdependente disso mesmo, irá retrair e cair muito mais rápido que alguma vez se imaginou.
Nota final: A Paridade, ou a falta de parentalidade desta gente, duas ministras e dois tiros no Porta Aviões. E ninguém chama a razão desta gente. Primeiro a ministra do trabalho, numa altura com uma profunda crise demográfica no país toca a limitar direitos as mães trabalhadoras, primeiro, ela sendo mulher devia saber que as mulheres em particular já têm a vida no mercado laboral muito mais dificultada, porque têm filh@s … Se isso não bastasse para um projeto familiar de quem, quer ter filhos, teve outro tiro no porta aviões.
O empregador se achar que tiveste a infelicidade de, por exemplo ter uma criança doente, dizer que te vai despedir por justa causa, e não tem de provar nada. Siga para bingo, os avôs que já não podem estar presentes porque a sustentabilidade da segurança social assim o obriga já não conseguem ir buscar os net@s, os país se começam a sair da linha começam a ser despedidos. É pois legitimo que os progenitores em potencial comecem a pensar se vale mesmo a pena ter criação.
A ministra dos administração interna, resolve dizer, “vamos embora” numa altura que parte do país arde, a sua demissão não é o remédio para a tragédia que se vive, a parentalidade da coisa não vem de hoje, mas pelo amor da santa, a falta de poder de encaixe e a de ser responsabilidade política da coisa, assumir que as coisas estão difíceis, e a de ter uma visão de futuro para as resolver começou ontem, quando ela aceitou o cargo.
Mas a responsabilidade se fica nas ministras, não, a parentalidade da coisa, a responsabilidade de ser chefe de família é também de uma terceira pessoa, e neste mundinho desconcertante das selfies, em que ninguém se quer queimar, a responsabilidade política não passa por festa, passa por dizer – Presente. Mas, meus amigos, a culpa é de um país que se preocupa mais se a festa segue, ou se os andores arderam como é possível fazer festa?!…
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